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RIO + 20, SERÁ UM SIMULACRO VERDE?

abril 30, 2012

 

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A quem interessa de fato a Rio + 20?

A nossa turma de Meio Ambiente, aqui de Arraial do Cabo (IFRJ), irá ver (in loco) o que acontecerá durante a conferência Rio + 20. O encontro será em junho (do dia 20 ao dia 22) e, com toda certeza, estamos ansiosos para participar e fazer as perguntas certas (para os cientistas que encontrarmos por lá). Tudo isso, é claro, sem perder o foco das principais questões, entre elas: “qual será o nosso futuro no planeta terra?”.
“Como assim… Nosso futuro no planeta terra?”, de repente você questiona aí do outro lado.
Eu explico: “estamos presenciando no nosso dia a dia, que o homem devasta selvagemente o planeta em busca do desenvolvimento. Nós, os ditos civilizados, somos reféns da ignorância do falso progresso e assim conduzimos as nossas vidas para um iminente desastre ambiental. Pareço pessimista? Será? Vamos aos fatos. O homem, com sua fúria em conseguir se sustentar através do poder, perderá sua vez nesse cenário”.
“Por quê?”, pergunta você.
Eu respondo (parafraseando um texto do Greenpeace): “A terra tem 4,6 bilhões de anos. O seu florescimento, como local habitável, veio depois de bilhões de anos. Ou seja… É um planeta muito novo, se compararmos com o seu tempo de vida no cosmo. Assim como os dinossauros e os grandes répteis; e depois os mamíferos e os primeiros hominídeos (que aprenderam a caminhar eretos), tudo aconteceu muito recente. Principalmente se falarmos da presença do homem moderno na sua superfície”.
“E daí… o que isso tem haver com destruição ambiental?”, você questiona.
Respondo: “Bem… Foi através do homem que surgiu a revolução industrial, fazendo do planeta (que era um imenso paraíso) um depósito de lixo. As pragas multiplicaram-se; houve a extinção de inúmeras espécies; o homem saqueou do planeta para obter combustíveis; armou-se até os dentes para travar, com suas armas nucleares inteligentes, a última de todas as guerras, que destruirá definitivamente o único oásis da vida no sistema solar. A evolução natural de 4,6 bilhões de anos seria anulada pelo homem (um hóspede muito recente e mal educado que coloca tudo a perder)”.
Tudo isso só tem um nome: Falso progresso!!!
As discussões na sala de aula esquentaram na última semana. E vários são os pontos analisados por nós. Por exemplo, por que no Brasil os fóruns de discussões (apresentados na Eco-92) não chegaram a base popular? Quais foram os resultados concretos deste evento na vida cotidiana das pessoas? Será que tudo não passou de um tremendo jogo de encenação?
Enquanto isso algumas empresas e prefeituras do interior brasileiro começam a se mexer para orquestrar uma conversa de boa vizinhança com o meio ambiente. Pelo que estamos notando (mais uma vez) tudo não passa de um grande simulacro. Tanto o poder público como os empresários, calibrados por enredos grotescos, ensaiam seus discursos na chamada economia verde.
Obviamente, nós como ecólogos, observamos que um dos maiores problemas da falta de comprometimento da Eco-92, é exatamente a ausência de uma cultura com novas implementações em condutas pedagógicas, que possa multiplicar a consciência ambiental das pessoas. Por isso as falhas são graves. Faltam agentes transformadores nas comunidades. Os partidos, por sua vez, preferem viver no sonambulismo dos seus contextos de comando e não compreendem o tema com profundidade. Pergunte a qualquer vereador da sua cidade, quais foram os pontos importantes apresentados durante a Eco-92, para saber se ele conseguirá responder.

Ambientalistas X ruralistas
Até hoje não sabemos qual caminho a tomar quando o tema é sustentabilidade ambiental. Mais exemplos? O novo código florestal é uma total aberração. O seu juízo de valores míngua o exercício da cidadania. O novo código afetará diretamente centenas de biomas e o bem estar de muitas vidas.
Na minha opinião, essa briga é completamente desigual. De um lado há pessoas comprometidas de fato com a questão ambiental; e do outro lado, temos a bancada ruralista (mais poderosa e ameaçadora).
Por que a bancada ruralista é mais poderosas do que a dos ambientalistas? Todo o aparato da estrutura burocrática é favorável aos ruralistas. Vamos aos fatos: para apresentar dois relatórios, a bancada contou com o apoio da Embrapa Monitoramento por Satélite, com resultados extremamente discutíveis.
Em um deles, conhecido como “Alcance Territorial Indigenista”, serviu para sustentar a tese de um suposto engessamento territorial da agropecuária brasileira pela legislação. O relatório chegou a afirmar que a área disponível para a agropecuária era “negativa”.
Já o outro relatório, com o nome “A Dinâmica das Florestas no Mundo”, afirmava que nos últimos 8 mil anos o volume de florestas no Brasil teria saltado de 9,8% para 23,3% em relação ao total existente no planeta.
No que esses dados influenciam? No dia 6 de julho de 2010, a comissão especial destinada a votar o relatório sobre o projeto de Lei 1876 de 1999, aprovou o substitutivo de Aldo Rabelo por 120 votos a favor e cinco contra. Quem saiu ganhando? Como sempre, a base ruralista.
A minha conclusão é que a bancada ruralista não tem interesse em criar uma cultura ecológica sustentável, e sim garantir o seu império através de dinâmicas capitalistas selvagens, favorecendo práticas de estímulos ao desmatamento.

Ausência de conhecimento
E como no Brasil, onde a prática clientelista afeta a maioria dos militantes partidários por se interessar apenas nos seus ganhos políticos, a situação se complica completamente. O princípio do respeito ao patrimônio natural é completamente desvinculado dos debates contidianos. Tudo porque falta conhecimento básico sobre o problema.
Recentemente, o nosso professor de Educação Ambiental e Ética Ambiental (João Gilberto, doutor em sociologia, em história e em psicologia) nos passou um exercício focado no artigo da Lei 9795 (Lei da educação ambiental).
Um dos pontos que me chamou a atenção foi o Art. 2º que diz: “A educação ambiental é um componente essencial é permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal ou informal”.
Achei o art. 2º bastante interessante, pois o seu foco se direciona em valorizar políticas públicas na área ambiental; principalmente, na sua apresentação sobre a democratização da informação e formação das pessoas.
Esse princípio, cooperativo na sua extensão social, de ampliar e formatar na sociedade propostas educacionais é, sem dúvida, uma senha para construírmos uma realidade (menos superficial e mais racional) que nos permita ter melhor qualidade de vida. Mas será que isso vai demorar acontecer de fato?
A legislação existe! Mas ela consegue ser aplicada na prática, em um país emergente, com forte impulso consumista? Ou melhor, os efeitos da lei são reais?
A atual atmosfera de valores, a maioria das pessoas não pensa em viver com o essencial e sim com a quantidade de bens materiais. O que reforça a tese da ignorância sobre o tema. Qual o conceito de ignorante aqui? É quando uma pessoa só tem capacidade de olhar a si mesma e não se permite uma visão ampliada do exterior. Ou seja, não sabe coixistir.
Se de um lado há professores, ecólogos, ambientalistas e vários setores da sociedade, preocupados em encontrar soluções para uma permanência duradoura no planeta, do outro lado temos os predadores (a indústria de armas bélicas, do narcotráfico, da prostituição e de facções criminosas), que não permitem a construção de uma sinergia da valorização do conhecimento.
No aspecto textual, o art.2º incrementa novas perspectivas; mas, contudo, ele poderá vigorar de fato, no momento em que todas as instâncias sociais permitirem em aderir a essa proposta, que tem como meta desconstruir tudo aquilo que traz danos ao bem estar social.
Logicamente esses pontos serão abordados por alguns setores dentro do evento Rio + 20. Nossa turma estará presente. Vamos ver o que acontece.

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Rio de Janeiro

abril 23, 2012

Cidade do Rio de Janeiro… Indicada a ser patrimônio da humanidade.

Que maravilha!

Foi nesta cidade que conheci muitas pessoas bacanas, anárquicas, inteligentes e articuladas…

Na década de 80, em Copacabana, jogava baralho com a sambista Leci Brandão (hoje deputada federal por São Paulo); conversava com Grande Otelo; e frequentava uma adega de vinhos na rua Siqueira Campos, que era habitada por artistas, escritores e intelectuais. Também conheci Fausto Fawcett, quando ele fazia sucesso com a música kátia flávia. Mais tarde, na década de 90, de volta ao Rio de Janeiro, me encontro com o escritor Moacir Scliar; e depois de várias horas de boas prosas, mantemos uma relação de amizade por telefone.

Dom Camilo (meu grande amigo), que foi proprietário de um espaço cultural em Copacabana (Clara Nunes, Clementina de Jesus, Xangô da Mangueira, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento e muitas figuras poderosas do samba marcavam ponto neste lugar), me disse que estava cansado do Rio de Janeiro. “A cidade já deu a sua contribuição. Tudo anda muito confuso”. A última notícia de que tive de Dom Camilo é que ele estava residindo em Porto Alegre. Mas na sua bagagem cultural, Camilo traz três livros publicados sobre o povo do Rio de janeiro.

Com mestrado em filosofia e doutor em matemática, Camilo largou Sampa e um emprego promissor (como diretor no Citybank) e partiu para o Rio de Janeiro. Por lá fez amizades com Cartola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e Nelson Sargento. Uma observação, Camilo é guitarrista e pandeirista; já tocou com todas essas feras acima citadas. Falo aqui neste blog sobre Camilo porque nos tornamos grandes amigos e ele tem uma leitura profunda sobre o Rio de Janeiro, que poderá chegar a ser patrimônio da humanidade. No fundo ele ama o Rio de Janeiro.

Um outro amigo, o escritor Ronaldo Werneck (que escreve minúcias sociológicas e antropológicas de Copacabana), já publicou um livro fascinante sobre o funcionamento do bairro mais eclético do Rio de Janeiro. Os detalhes da noite, das mulheres, das loucuras e do despojamentos humanos, são bem traçados em uma linguagem clara e bem construída.

O escritor Ronaldo Werneck, hoje um dos maiores nomes da literatura brasileira [atualmente ele reside em Cataguases], me enviou o seu livro “Noite Americana – Dori: Day By Night”. Ronaldo faz parte de um seleto grupo de escritores brasileiros, intelectualmente sofisticados, que alimenta com idéias brilhantes o nosso tumultuado cotidiano.

Ao folhear o livro me deparei com o poema Copacabana. Isso, a bela Copacabana das várias facetas existenciais que ele conhece bem. Só quem viveu com intensidade neste bairro entende o que Werneck diz, pois desvendar esse lugar não é apenas passar os olhos nas suas superficialidades. É um mundo que exige ser explorado com coragem e determinação. Cutucar seus nervos, conhecer suas figuras ilustres, leva tempo. É um espaço geográfico configurado para ser múltiplo. Obviamente há exigências metafísicas para poder se aprofundar nas suas entranhas.

Mas o Rio de Janeiro não é só Copacabana. É muito mais. Neste momento penso em outro escritor, que tive a oportunidade de conhecer pela sua sensibilidade artística de compreender o ser humano com profundidade. Trata-se do escritor  Hélio de Almeida Fernandes. Seu trabalho literário é muito legal, bem elaborado e consegue apresentar resultados incríveis (dentro de um cenário carioca).Há muito o que se falar do Rio de Janeiro… Mas, por enquanto, fico aqui na torcida para ver se ele consegue ser patrimônio da humanidade.

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O ser e suas demandas na evolução humana

abril 22, 2012

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No livro a Era dos Extremos, Eric Hobsbawn apontou como o século XX aniquilou pessoas em nome de uma “razão” grotesca, conhecida como política do “desenvolvimento” econômico. Tudo em nome do “progresso”. No século 21, os modelos de violência são os mesmos. De um lado temos alguns países investindo em novas logísticas e táticas de “defesa”, comprando armas cada vez mais sofisticas para eliminar seus inimigos.

Na cabeça desses republicanos e democratas, o pragmatismo é: dane-se que esses inimigos sejam crianças, mulheres grávidas, adolescentes e jovens mulçumanos. O que está em jogo é a imposição de uma “democracia” (mentirosa) para trazer a paz ao mundo. Do um outro lado, temos o Brasil (e dezenas de países subdesenvolvidos) onde o principal problema continua sendo a falta de acesso a informação. Cada um se vira como pode. Se tudo é “bom”, no lado sul, para que me preocupar com o que acontece no nordeste ou norte. “Eles estão lá, que se virem…”

O mesmo raciocínio acontece no sudeste. “Para que me preocupar se as milicias estão destruindo valores humanos importantes no Rio de Janeiro, se isso não acontece aqui em Minas Gerais?”, dizem alguns. Essa ausência de ética, por parte do nosso modelo contemporâneo, é que afeta a existência. Como é possível uma juíza ser ameaça de morte pelo próprio sistema, ao qual ela pertence?

É o caso da juíza Fabíola Michele Muniz Mendes de Moura, em Pernambuco. Todos sabemos o caso da juíza de Niterói, Patrícia Acioli, que foi assassinada (a mando de pessoas ligadas a polícia militar) fazendo grande parte dos cidadãos a temer quanto ao funcionamento da segurança pública (mesmo com toda a publicidade apresentada de “mudança” com a criação da Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs).

Esse é um tema complexo, extremamente delicado, que por hora temos a única conclusão porque ele acontece: falta de educação, investimentos em saneamento básico e acesso a cultura, são alguns dos motivos por haver tantos comportamentos hostis.

Segundo o mapa da violência, de 2010, do Instituto Sangari, a taxa de homicídios no estado do Rio de Janeiro é de 26,2 por grupo de 100 mil habitantes, e a de jovens de 15 a 24 anos é de 52,5 homicídios. Quando o segmento é jovem + negro, o índice salta para perto de 80 homicídios. A Organização das Nações Unidas considera aceitável apenas taxas de menos de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.

No Japão, a taxa de homicídios é de menos de 1 morto para cada 100 mil habitantes. Em clima de início de eleições, quando se começa a observar o que se poderá fazer no futuro, seria interessante se todos começassem a pensar com mais clareza, o que queremos construir (de fato) para as próximas gerações? Ou ela terá características idênticas ao da ficção do Admirável Mundo Novo, escrita por Aldous Huxley (que divide os “civilizados” condicionados dos “selvagens” em busca de caminhos mais lúdicos). É um romance de idéias, onde as questões relacionadas ao funcionamento do totalitarismo de ideologias de esquerda e de direita, apresenta uma dúvida: qual é o melhor caminho para convivermos bem na humanidade? Alguém tem uma resposta?

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Desdobramentos de Foucault

março 13, 2012

Vase with 12 sunflowers

Pintura de Vincent van Gogh

Debrucei-me nestes últimos dias no livro Foucault – seu pensamento, sua pessoa (editora Civilização Brasileira), escrito por seu amigo Paul Veyne; outro intelectual de uma lucidez brilhante.

Fácil de ler e que dá clareza sobre a importância de Michel Foucault na cultura contemporânea, colocando-o definitivamente como uma das pessoas mais comprometidas com a ética social do século 20, esse é um livro essencial para se conhecer a trajetória de um dos pensadores mais criativos e autênticos que tivemos.

Instigante, provocador, entusiasta das causas populares e, sobretudo, um humanista de primeira linha, Foucault certamente abriu caminhos neste pântano lamacento da superfície de idéias, nos mostrando como sair das armadilhas impostas como verdades absolutas, uma delas a religião, com um senso crítico bem apurado. “Não utilizem o pensamento para dar a uma prática política um valor de verdade”, escreveu ele.

Poucas foram às pessoas que conseguiram alfinetar o centro do poder, para mostrar suas limitações e engessamento comportamental sobre as funções sociais estabelecidas pelos sistemas ideológicos, como Foucault.

Com um pé nas abordagens lingüísticas de Wittgenstein e na poética de Nietzsche, Michel conseguiu desdobrar a realidade apresentada pelo establishment vigente, deixando em frangalhos os doutrinadores acadêmicos.

Os mais conservadores, aliados do estruturalismo de Claude Lévi-Strauss, ficavam com o pé atrás quando Michel se manifestava. Viam nele uma ameaça, que podia quebrar os alicerces de suas teses (muitas delas comercializadas para a construção, de fachada, de uma nova civilização que estava por vir). Estamos aqui na década de 60, em uma França movida por grandes transições culturais.

Uma questão que me chamou a atenção é a que está na página 185. Nela Paul Veyne apresenta a essência do pensador, de uma maneira clara: “(…) Michel admite que o homem toma iniciativas, mas nega que ele o faça graças à presença do logos nele e que suas iniciativas possam desembocar no fim da história ou na pura verdade. As descobertas dos físicos não são inspiradas por uma teologia da ciência, a linguagem e a etimologia das palavras gregas ou alemãs não desvelam a verdade do ser. Napoleão não era o precursor do espírito, o revoltado não é movido por um chamado à desalienação que lhe seria enviado por sua essência nativa; nada é transcendente nem, no sentindo Kantiano, nem a revolução de Marx, nem a era positiva de Auguste Comte”.

Por fim, chego a conclusão que quero ler mais Foucault. Muito mesmo. Até breve.


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Fim dos tempos?

janeiro 12, 2012

Essa imagem é de Arraial do Cabo, eu a fiz do alto do Morro do Atalaia (uma expressão do tempo absoluto)

Bem… Estamos “finalmente” em 2012 (ano que incrementou as imaginações e ajudou a multiplicar a renda de muitos). De escritores, cineastas, cientistas e de gente que se alimenta de alucinações religiosas, vimos uma crescente onda sobre os finais dos tempos.

Será que haverá exatidão até o último dia do ano, das palavras e profecias aplicadas por essas cabeças? Esperem!! Há também uma parcela de pessoas, que por não terem nada a fazer, colaboram para uma conspiração cósmica; se acham felizardos por saberem alguma coisa, que os outros não sabem! Aí criam aquela ladainha… Que os Maias, Newton e grupos secretos previram algo que aniquilará a humanidade.

Por gentileza, me poupem! Prefiro ler os clássicos, que me aventurar nesta triste peregrinação sobre o fim dos tempos. E por falar nisto estou lendo “o romance morreu”, de Rubem Fonseca (contos). Em outro ponto, que é a literatura, Fonseca consegue mostrar o quanto ela está viva entre nós. Apesar dos presságios passados sobre o seu fim, a palavra escrita tem o seu espaço. Ela faz parte da nossa essência.

Voltando a questão do fim dos tempos, me deparei essa semana com uma entrevista dada por Jean-Claude Carrière, que me despertou outra angulação. Perguntado se vivemos o fim dos tempos ele respondeu: “A primeira coisa que me vem ao espírito, e que é indiscutível, é que assistimos ao fim de certos tempos gramaticais. Onde se meteu o futuro anterior? Que foi que houve com o perfeito simples? Só muito raramente utilizamos o imperfeito do subjuntivo. Que significa essa simplificação? Que são os tempos gramaticais senão uma tentativa minuciosa de nossos espíritos precisos, meticulosos, de considerar todas as formas possíveis, todas as relações que mantemos com o tempo no interior mesmo de nossa ação, de nosso pensamento? O que é a conjugação? Uma tentativa de pensar e dizer toda a diversidade das situações no tempo. Claro, esta é uma tarefa impossível. Jamais se poderá retalhar o tempo em ‘tempos’ bastantes para se conseguir controla-lo e se poder dizer, a cada instante: estamos naquele tal tempo, naquele fugidio posto avançado”.

Que lucidez!!!

Por hora voltarei a ouvir Sonny Rollins. Até mais.

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Leituras

novembro 30, 2011

                Schopenhauer - E os anos mais selvagens da filosofia

Terminei de ler dois livros interessantes. O primeiro é a biografia sobre Schopenhauer – E os anos mais selvagens da filosofia (Geração Editorial), escrito por Rudiger Safranski (o mesmo que escreveu a história de Heidegger, que também li). O outro livro Como Proust pode mudar sua vida, de Alain de Botton, nos revela a intimidade do formidável cérebro que criou Em busca do tempo perdido.

Ambos os livros nos trazem revelações vigorosas.

Schopenhauer, além de possuir uma capacidade fora do comum para decifrar a mente humana, conseguiu ultrapassar toda a sistemática apresentada pelos acadêmicos que se debruçam em suas verdades rarefeitas e cansativas, não nos apresentando nada promissor.

Ele foi extremamente talentoso com as palavras e manteve uma originalidade nunca vista na sua maneira de pensar. Era profundo e desinibido quanto as formulações sobre o sexo, amor, poder, dinheiro…

Na página 499, no décimo nono capítulo, traz uma formulação sobre o prazer: “Se alguém me indagar onde então se pode alcançar o conhecimento mais íntimo dessa essência interna do mundo, dessa coisa em si, a que denominei vontade de viver, ou que parte da consciência se mostra essa essência como maior claridade? Ou ainda onde se produz a revelação mais clara de seu próprio ser? – Então terei de lhe responder que é no prazer do ato da cópula. É justamente aí! Esta é a verdadeira essência e o núcleo de todas as coisas, a finalidade e a meta de toda existência”.

Como Proust pode mudar sua vida

Já Como Proust pode mudar sua vida (editora Intrínseca), é um livro menos profundo; mas, mesmo assim, nos favorece a entender a complexidade de um dos maiores gênios da literatura. O livro é dividido em 9 capítulos: “Como amar a vida hoje”, Como ler para si mesmo”, Como não apressar”, Como sofrer com sucesso”, “Como expressar suas emoções”, “Como ser um bom amigo”, “Como abrir os olhos”, “Como ser feliz no amor”, “Como abandonar os livros”.

Na página 157, do capítulo Como ser um bom amigo, há uma passagem entre Proust e James Joyce, que merece uma transcrição: “Em 1922, os dois escritores estavam em um jantar de gala no Ritz, em homenagem a Stravisnky, Diaghilev e aos membros do Balé Russo para comemorar a estreia de A raposa. Joyce chegou atrasado e sem smoking. Proust não tirou o casaco de peles durante toda a noite e o que aconteceu quando eles foram apresentados foi mais tarde relatado por Joyce a um amigo.

                                                 Nossa conversa consistiu unicamente na palavra “não”.

                                                                                     Proust perguntou se eu conhecia o Duque Fulano-de-tal.

Eu disse: “Não”. Nossa anfitriã perguntou a Proust se ele havia lido tal e tal trecho de Ulisses.

Proust respondeu: “Não”. E assim por diante.

Depois do jantar, Proust entrou em seu táxi com os anfitriões, Violet e Sydney Schiff, e, sem pedir licença, Joyce fez o mesmo. Seu primeiro gesto foi abrir a janela; o segundo, acender um cigarro- no que dizia respeito a Proust, dois atos que causavam perigo à vida. Durante o trajeto, Joyce observou Proust sem dizer uma palavra, enquanto Proust falava sem parar, mas não se dirigiu a Joyce. Ao chegar ao seu apartamento na rue Hamelin, Proust puxou Sydney Schiff para o lado e disse: Por favor, peça ao Sr. Joyce que deixe meu táxi levá-lo para casa. Foi o que o táxi fez. Eles nunca mais se encontrariam”.

São dois livros bacana. Valem como referência sobre pessoas que marcaram o mundo literário e filosófico.

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Até quando?

novembro 19, 2011

               Recentemente Antonio Negri esteve no Brasil. Segundo ele, a força transformadora virá das camadas populares

Politicamente o Brasil continua um corpo estranho. Ainda vivemos na sombra do abstrato, da ausência de luz, no que se refere a evolução do estado em progredir a favor do bem estar social. As desigualdades continuam perversas. Elas extrapolam o bom senso e desequilibram o conceito de civilidade racional.

Acho que isso não é exagero, mas a culpa disso tudo é nossa mesma. Somos nós que deixamos isso acontecer. Somos nós que permitimos a desfaçatez orgânica da corrupção, que envenena todo o sistema. Se fosse diferente estaríamos mais articulados para desconstruir essa realidade imposta.

A marcha contra a corrupção, criada pela rede social, ainda é restrita. Atinge apenas uma camada da sociedade; ou seja, aquela que tem acesso aos bens culturais e tecnológicos.

Acredito na possibilidade de mudança, assim como pensa o italiano Antonio Negri, virá através da participação dessa gente que vive na periferia. Mas para que isso aconteça, é necessário um amplo trabalho consciente, que envolva grupos cooperativos na construção de um país melhor… Que seja independente! Em todos os sentidos… E que não haja, sobretudo, na mendicância paternalista de programas (servidos pelo estado) para atender interesses eleitorais. Precisamos crescer de uma maneira lúcida, sem a estupidez de uma caridade hipócrita.

Precisamos de gente que leia mais, que tenha mais sensibilidade artística (nas artes plásticas, no cinema, no teatro, na música) e que brilhe como pessoas de bem. Mesmo que escolham profissões que saiam do quadrado mágico dos grandes salários.

Todos querem ser médicos, engenheiros, advogados. Poucos são ousados para escolhas que vão de encontro as correntezas do dito “progresso”. Por exemplo, ninguém que ser professor… Que coisa esquisita! Como conseguiremos enfrentar todos os problemas, se essa é uma área que está em extinção?

Se temos um Congresso Nacional ruim é porque ele reflete a falta de formação humanística dos que estão lá. Aquele espaço, que teria de alimentar grandes debates, se transformou em um latifúndio (de sindicalistas, de falsos ambientalistas e de jagunços). Não há debate, somente egos inflados.

Até quando viveremos assim?

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Nobel e devaneios políticos

novembro 10, 2011

A economista Elinor Ostrom, ganhadora do Nobel em 2009

A pérola do dia dita pelo líder sindicalista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical: “Não dá para aceitar que a imprensa fique derrubando ministro de 15 em 15 dias”.

Pelo que vemos, não se fazem mais sindicalistas focados na transparência, mas no cinismo. Será que esse senhor, que tem status quo de patrão, não pensa em tirar o seu time de campo? Chega!! Já passou da hora do Brasil parar de criar falsos esquerdistas marxistas. Se Paulinho chegou a ler Antonio Gramsci, não o compreendeu. Para falar a verdade, vejo que grande parte dos petistas emergentes de hoje nunca folhearam a obra desse italiano, que chegou a ser uma referência para a turma do pré-64.

Toda essa confusão, da queda de ministros, foi estabelecida por quem? Obviamente a resposta é clara: o culpado disso tudo foi Lula. Foi ele que influenciou nas decisões a escolha ministerial. Imaginem a cena: em casa, no se canto, a presidente deve se virar de raiva por ter aturado as imposições dele, que ainda tenta [mesmo sem ter cargo algum] se articular internacionalmente para manter a sua imagem de estadista “progressista”.

Mas todos os políticos brasileiros são assim mesmo. Falta-lhes personalidade quanto ao funcionamento da ética pública. Alguns dirão, “não podemos generalizar. Há os bonzinhos…”. Onde? Quero saber!! Me dê os nomes…

Nesta história não escapa um. A corrupção é azeda, destrutiva, ocupa um espaço poderoso. Estamos precisando de formatar toda a república [que anda repleta de bilhões de vírus, que inibem o funcionamento da máquina.

Eu sou a favor das propostas da economista Elinor Ostrom, ganhadora do prêmio Nobel em 2009, que acredita no fim do governo. Sim! Fim. Aliás, quem precisa de governo? Aos 76 anos, essa sábia mulher dá um show nesses caras sem neurônios que circulam no Congresso Nacional [alguém pode apontar um político com neurônio?]. Todos são guarda vidas dos seus feudos. Nada mais do que isso. Eles representam a fragmentação do bem estar coletivo.

Por falar em prêmio Nobel, eu gostaria de saber por que até hoje o Brasil não teve um Nobel? Nas minhas divagações, isso acontece porque houve pouca consistência dos governos em fortalecer o aprimoramento intelectual do seu povo, que ainda continua a gostar de pão e circo. Que coisa chata!

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Eu também quero ler Allen Ginsberg

outubro 20, 2011

Allen Ginsberg, o primeiro de barba, volta (em tempo de crise) a ser referência para os americanos

Onde chegamos? Essa seria uma boa pergunta para todos os que se amontoaram nas senzalas da escravidão industrial, para servir ao grande senhor do capital especulativo. Será que estamos vivenciando o surgimento de uma nova idade média, que pelas suas características históricas se furta em ampliar os horizontes humanos? Tudo indica que sim. Em um país, como o Brasil, sem tradição cultural, a situação é muito pior.

Atualmente, milhões de brasileiros possuem em suas casas somente um livro: a bíblia. Ela se torna a única referência de mundo para essas pessoas. Podem acreditar! Isto é um retrocesso… Nunca ouviram falar de Thomas Mann, Virginia Wolf, Marcel Proust e tantos outros da literatura clássica. E nunca terão paciência para conhecê-los. Como grande parte dessa turma se tornou emergente, a preferência pelos churrascos nos finais de semana é a melhor opção para aliviar a tensão. Tudo acompanhado de papos confusos sobre futebol e outros temas, sem conexão com um pensamento mais interessante. É uma comunidade infantil, cheia de superficialidades imediatistas.

Como encontrar um caminho, neste cenário tão pobre? Sinceramente, não tenho a resposta. Falar que tudo terá uma progressão a partir de investimentos em educação e cultura através do auxilio estatal é pura conversa fiada; sem falar na corrupção, que se estende para dentro das ONG’s e repete as barbáries dos falastrões do Congresso Nacional.

Veja bem… A crise planetária (seja climática ou financeira) se arrasta e, sem qualquer aviso, derruba os méritos de um conservadorismo capitalista que chega a exaustão. Até agora não ouvimos a palavra PREVENÇÃO. Se a situação piorar, não teremos meios suficientes para salvar todo mundo (com empregos dignos, boa alimentação, moradia e bens simbólicos). A Europa está sentindo isto na pele.

Falar que o pré-sal é a salvação do Brasil é um simulacro para os ouvidos mais atentos.  Por sua vez, os partidos políticos ressecados pela falta de lideranças com conteúdo, se preocupam em manter apenas o status quo dos seus convidados de honra. Mais nada que isso. Literalmente estamos na fase feudal. Do período patriarcal. Uma lástima. 

Enquanto o Brasil desconhece seus enredos culturais, pelos parques e ruas nos Estados Unidos tem muita gente lendo Allen Ginsberg. Procuram uma alternativa de defesa, que abra novas portas e, sobretudo, inove na elaboração de uma civilização mais consciente. Obviamente isso é um sonho! Mas cresce o número de gente, com necessidade de viver em comunidades alternativas, sem o peso cruel de um sistema comandado por democratas ou republicanos. Anseiam por liberdade. Assim como grande parte das pessoas dos países europeus. O capitalismo americano, com os seus “gênios” de Wall Street, deixa a desejar.

Enquanto Bill Gates e Steve Jobs (que faleceu recentemente) se tornavam marcas tecnológicas, uma outra turma como Linus Torvalds,  Pierre Lévy e Toni Negri, se debruçava em estudar novas formas de conhecimento, para se entender a funcionalidade da tecnologia na transformação do mundo.

Novamente vem a seguinte questão, quais desses jovens (que tem a necessidade de criar ídolos) leram ou estudaram profundamente os livros desses autores. A resposta é: poucos. Possivelmente os jovens filandeses e canadenses são o top neste universo. Os demais, assim como os brasileiros com as suas bíblias, continuarão a cultuar seus tablets, celulares, iPod e outros instrumentos, sem entender os fluxos exatos do conhecimento. Acho que todos estão precisando ler Allen Ginsberg.

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Que país é este? (parte 1)

outubro 17, 2011

 

No início da década de 90 surgiu o grupo ZOOM, que era formado basicamente por Pedro Lacerda, Rafael e eu. Naquela ocasião começamos com um programa de rádio (na Sucesso FM, em Barbacena), que tinha a duração de 15 minutos. Na verdade eramos coadjuvantes, pois o ZOOM era um quadro de um outro programa apresentado por Rubens Albuquerque. Mas isso não impediu que o ZOOM se desse bem. E como deu!

Durante os seus 15 minutos semanais no ar fizemos muito barulho. Falamos um pouco de cada coisa. Loucura, carnaval, carecas, amor e sexo, meio ambiente, corrupção, rock e vários temas. Entrevistamos Ziraldo, o cantor João Bosco, Adélia Prado e mais 1.200 pessoas que circulavam pelas ruas da cidade. 

Foi a partir desse programa que deu para produzir os documentários “Que país é este?”, “Movimento terrestre” e “Lugar Nenhum. Sendo assim estou disponibilizando na net todos eles. O primeiro a ser divulgado será “Que país é este?”, que teve a participação dos jornalistas Sérgio Ayres e Edson Brandão.

Como o documentário tem 45 minutos, eu o dividi em 4 partes. Esta é a primeira. “Que país é este?”, foi criado em 1991. Obviamente o cenário era outro. Mas vocês observarão que muita coisa não mudou durante estes últimos anos. 

O endereço do link é: http://www.youtube.com/watch?v=ReZm9vWoDEo&feature=share 

Vale a pena conhecer esse trabalho.

 

 

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PAPO NO FACE

outubro 9, 2011

 


Até quando o mundo continuará assim? Neste  eterno sobe e desce, sem que haja de fato algo que nos conduza a plenitude do existir? A resposta não sei, mas sinto que tem muita gente por aí vivenciando coisas interessantes, que colocam em xeque qualquer pensamento ortodoxo. Os fluxos existênciais estabelecem novos vínculos, que estão distantes das verdades apresentadas, e movimentam nossos corpos e prazeres para outras quebradas.

Recentemente conversando com uma amiga pelo facebook,  ela foi breve nas palavras: “As pessoas desaprenderam a amar. Eu, por minha vez, tenho mergulhado nas paixões próprias, explorando o meu corpo na solidão das noites calmas. Somente eu e os meus desejos. Os homens se tornaram embrutecidos. Querem transar e depois viram para o lado e se esquecem dos detalhes anteriores. Dei um fim nisto, e me permito em sentir sozinha os meus prazeres. Essa coisa do encontro, ter de me vestir, passar batom, me arrumar toda, para conhecer alguém, encheu o saco”.

Não demorei em responder o que achava disso: “De repente você está coberta de razão. Outro dia mesmo uma tia de 68 anos me falou que parou de transar com o marido, porque ele perdeu o pique. E para compensar a falta de sexo, ela tem se masturbado virtualmente com outros homens pela internet. Com os seus longos cabelos brancos, seu maior tesão é variar os sabores do gozo com jovens e homens de todas as idades”.

Mas uma vez minha amiga me disse: “Sorte a nossa geração ter acesso a esse instrumento. Se não existisse essa possibilidade tudo seria um tédio. Também gosto de passar horas me tocando, vendo cenas de pessoas que moram no Canadá,  na África, no Japão, no México, nos Estados Unidos e de vários lugares. São casais, gente de todas as idades. Acho um barato”.

Mais uma vez apresentei a minha opinião: “Se fosse o contrário, como você mesmo disse, estaríamos entediados. Tem gente que acredita que o campo real é mais saudável e que toda essa coisa de sexo virtual é doentio. Mas pelo que sei tem psiquiatra, padre, pastor, professor, escritor, artista plástico, ambientalista, donas de casa, pedreiros, padeiros, pai de família, se fazendo valer da interatividade criada pela Internet para satisfazer seus desejos. Vejo a masturbação como algo saudável. Se tiver alguém do outro lado para retribuir, fica melhor ainda”.

Desta vez, minha amiga deu boas gargalhadas e alfinetou: “Pelo jeito você também é um apreciador no assunto. Aposto que gosta de ficar pelado na frente do computador vendo as mulheradas se tocando”.

Sem me hesitar fui direto ao ponto: “Não sou hipócrita. O mundo tem seus movimentos; e eu, os meus. Afinal, o que queremos é passar pela existência com tranquilidade. Quero viver a minha vida com dignidade sem prejudicar os meus semelhantes. Independente das minhas manifestações de desejo, o sexo é uma expressão bela que tem um significado profundo, de transformação”.

Novamente minha amiga riu e argumentou: “Seja mais explicito meu bem. Eu adoro sexo, passo 24 horas pensando em sexo. kkkkk. E daí. Dane-se o que as pessoas pensam disso. Bem, terei que ir. Vou tomar um suco e voltar para a net. Vou teclar com um homem que conheci em um chat lá do Rio Grande do Sul. O cara tem uma performance e tanto. Preciso de vitaminas para dar conta do recado. Até mais meu amigo”.

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MUNDO MIX

outubro 9, 2011

um mundo repleto de informações

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confira mundo mix. Ele veio para revolucionar

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