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PERGUNTA E MAIS PERGUNTAS

dezembro 17, 2012

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Temas como mudanças climáticas e aquecimento global precisam ser amplamente discutidos, para não cairmos em falsas armadilhas criadas por cientistas-chapa branca [aqueles que recebem financiamentos polpudos para apresentarem argumentos imprecisos quanto à verdadeira estrutura física do planeta]. Artigos assinados em revistas “especializadas”, ou palestras feitas em seminários se tornaram a fonte de muitas mentiras, ditas por esses “pensadores”, pagos para forjarem dados científicos.

Se não houver um comprometimento maior de toda a sociedade, a tendência é que viveremos em constantes simulacros, presos em sistemas estabelecidos, que são nutridos com o objetivo de manipular o fluxo de informações.

Esse interesse é de quem? Serve para quais propósitos? Perguntas e mais perguntas surgem em um mundo cada vez mais complexo e exposto a novas exclusões (tecnológicas e de conhecimento). Falando sério, você acredita que estamos de fato evoluídos, do ponto de vista do saber? Ainda somos peixinhos dentro de um pequeno aquário, acreditando que chegamos a um estágio supremo de civilização. 

O momento exige que tenhamos uma postura mais inteligente e crítica, sem dogmatismos, voltado a um conceito de sustentabilidade econômica, que possa abrir novas modalidades de desenvolvimento (cultural e educacional); se não for assim, não chegaremos a lugar nenhum.

Ao contextualizarmos o Brasil no atual cenário geopolítico, observaremos que a sua grande biodiversidade, se manifesta como sendo uma nova referência econômica mundial; obviamente, isso o coloca em um campo de visão diferenciado, gerando olhares de cobiça, afinal os donos do império planetário precisam resolver suas demandas de consumo interno. De onde conseguirão meios para manterem-se de pé?

Ao que parece os objetivos, agrupados em conceitos culturais e políticos, estão voltados aos interesses materiais, cinicamente apresentados por muitos [como jargão] de crescimento social. O homem, com suas escolhas, prefere destruir o que está a sua volta como, por exemplo, o Iraque, o Afeganistão e vários países da África do que apresentar projetos relevantes.

Tudo isso ocorre exatamente por amplos interesses materiais de domínio. Pelo que vemos, o quadro é de total imprevisibilidade. O conceito de democracia apresentada como liberdades individuais (seja por escolhas culturais ou econômicas), está em xeque. O mundo ocidental vive sua crise de valores, enquanto a China (no seu dogmatismo ideológico) consegue contrapor estas noções apostando suas fichas no domínio de outras nações periféricas em investimentos diplomáticos a países como o Irã. Ela precisa de recursos (minérios, água, terra) e de algozes (que possam nutrir seus venenos nos encontros da UNO, contra aqueles que seguem a cartilha apresentada pelos Estados Unidos, para dar continuidade ao seu projeto de “crescimento”).

Dar de ombros aos problemas ambientais alimenta a desqualificação do comprometimento com o que está a nossa volta. Se no passado esse assunto era bandeira de um partido só, no presente a expressão ‘meio ambiente’ se transforma numa causa coletiva, que não tem dono. Mas aí surge outra pergunta: teremos condições de fortalecer uma visão mais humanista e equilibrada de mundo, sem que haja mais mortes e direitos de soberania afrontados?  Perguntas e mais perguntas. As respostas estão cada vez mais escassas.

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 Uma questão …

agosto 14, 2012

 

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Uma questão em pauta: qual será o movimento de 2014, a partir das eleições municipais deste ano? Ora, como sabemos o pleito eleitoral de 2012 é que dará um norte para às próximas mexidas no tabuleiro desse xadrez. Definidos os prefeitos, começa-se uma grande movimentação (desta vez entre os que compartilham da engrenagem estadual e nacional). No jogo político (para a sucessão no planalto) estarão em cena o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB); o senador Aécio Neves (PSDB); e possivelmente Lula. Eduardo está se movimentando para todos os lados para fazer crescer o número de prefeitos pelo partido… Ele quer ser presidente. Por sua vez, Aécio também se agita nos bastidores para conseguir um quadro positivo para os tucanos; já Lula, atualmente em queda em popularidade, poderá tentar a vaga que ocupou por 8 anos. O problema do PT e de outros partidos (da base aliada) é o mensalão. Segundo analistas políticos, a defesa dos réus se transformou em um grande folclore político. Tudo isso é um entrave para as mexidas futuras de Lula, que vem fazendo acordo com vários grupos. No presente tem configurado a articulação de lançar o senador Lindberg Farias (PT) para disputar as eleições ao governo do Rio em 2014; mas na reta final abrirá as pernas para o PMDB, que terá o Pezão como candidato. Em troca desta articulação Cabral poderá faturar um ministério (possivelmente Minas e Energia). Pelo que se vê o PT se movimentará na sua fragmentação total, já que as principais cabeças (antes os mentores do processo) andam envolvidas em outras “artilharias”, desta vez jurídica. Então, ao que parece, dependendo dos enredos futuros, teremos Eduardo Campos e Aécio Neves em uma cruzada que terá outras narrativas. Tudo é possível. Mas o atual quadro, pelo que assistimos, leva a isso, com muita gente de olho também, acreditem se quiser, no processo eleitoral municipal de 2016. Garotinho e César Maia já estão no centro dessas frenéticas montagens políticas. Vamos ver o que acontece.

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Jornalismo investigativo

agosto 4, 2012

 

Em tempo: Acabei de ler essa semana o livro PUTIN – A FACE OCULTA DO NOVO CZAR. Escrito pela jornalista e autora de mais de vinte livros, Masha Gessen mostra um quadro assustador de um dos maiores tiranos da história atual, que é Vladimir P

utin. Dono de uma fortuna de 40 bilhões de dólares (Putin construiu uma casa de 1 bilhão de dólares no mar negro), em um país com sérios problemas sociais. A corrupção na Russia é tanta que o maior enxadrista dos últimos tempos Garry Kasparov tentou mobilizar vários setores da sociedade, gastando sua fortuna pessoal, para mostrar o quanto Putin se tornou um dos maiores ditadores do mundo. Resultado: Kasparov foi vencido pela máquina de Putin. Na página 181, há um trecho que mostra um cenário completamente desumano, depois que um ginásio foi atacado pelos tanques dos militares: “Kasparov ficou atônito quando entrou naquele ginásio. ‘Ah, meu Deus! Ah, meu Deus’, murmurava ele. As mulheres se dirigiram a vários pontos do local destruído e começaram a chorar; logo aquele somo agudo, mas abafado, enchia todo o espaço ali dentro. Kasparov parecia arrasado: tinha os olhos vermelhos, a boca entreaberta e balançava a cabeça. Era evidente que não seria possível falar ali: o local estava absolutamente saturado de sofrimento. Pediu então para ver o resto da escola, e, durante o trajeto, cercado agora por umas cem pessoas, disse: ‘Estou andando por essa escola e pensando: como as pessoas lá em Moscou podem sair andando, dizendo coisas e continuando a mentir? Entre elas, está decerto a pessoa que deu origem para as tropas abrirem foto. Se essa pessoa se sair dessa, será exclusivamente por nossa culpa!”
Conclusão: Putin venceu todas as demandas… Muitos “aliados” (ex-ministros, empresários do petróleo, políticos) morreram. Mortes estranhas. Atualmente Putin comanda todo legislativo e o judiciário, com braço de ferro. Tendo apoio logístico da KGB e da maioria dos países ocidentais. Um deles: Estados Unidos.
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A CUT NÃO É MAIS A MESMA

julho 10, 2012

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Por que a CUT – Central Única dos Trabalhadores – não vai às ruas para protestar contra a corrupção? Da falta de acesso dos jovens a boas escolas e espaços culturais? Foi-se o tempo que essa entidade desempenhava o seu papel social. Na sua direção só há pessoas ricas (todos tem boas casas, carros importados e privilégios.. Muitos privilégios…). Quem os abastece? Por que a CUT, tão digna, não foi as ruas cobrar rigor nas investigações da morte de Celso Daniel?  Todos os seus diretores e a turma do andar de baixo (tecnocratas bem vestidos), tomam whisky de qualidade e arrotam escargot. Segundo a revista Época, foi montada uma grande operação (com muito dinheiro)  na contratação de um escritório especializado em média, para trabalhar na mobilização a favor dos réus do mensalão. O Brasil retrocedeu. Várias instituições se tornaram reféns da tirania mafiosa, arrastando o país para a miséria democrática. Uma verdadeira insanidade de valores humanos. Agora essa da CUT sair pelas ruas dizendo que o julgamento não deve ser político. Convenhamos… Quais sãos os parâmetros de avaliação que a CUT tem, para querer interferir nesta questão? Sua seara está nas masmorras do seu sindicalismo pelego, conservador, que não traz nenhuma essência de uma esquerda verdadeiramente constituída; pelo contrário, a CUT é um braço extremamente de direita. A conduta do seu pessoal, sua estrutura, não tem relações com forças libertárias, humanísticas. Ela quer o poder e agora quer lançar os cachorros na rua, contra o maior roubo aos cofres públicos que temos notícia, chamado de MENSALÃO.

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RIO + 20, SERÁ UM SIMULACRO VERDE?

abril 30, 2012

 

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A quem interessa de fato a Rio + 20?

A nossa turma de Meio Ambiente, aqui de Arraial do Cabo (IFRJ), irá ver (in loco) o que acontecerá durante a conferência Rio + 20. O encontro será em junho (do dia 20 ao dia 22) e, com toda certeza, estamos ansiosos para participar e fazer as perguntas certas (para os cientistas que encontrarmos por lá). Tudo isso, é claro, sem perder o foco das principais questões, entre elas: “qual será o nosso futuro no planeta terra?”.
“Como assim… Nosso futuro no planeta terra?”, de repente você questiona aí do outro lado.
Eu explico: “estamos presenciando no nosso dia a dia, que o homem devasta selvagemente o planeta em busca do desenvolvimento. Nós, os ditos civilizados, somos reféns da ignorância do falso progresso e assim conduzimos as nossas vidas para um iminente desastre ambiental. Pareço pessimista? Será? Vamos aos fatos. O homem, com sua fúria em conseguir se sustentar através do poder, perderá sua vez nesse cenário”.
“Por quê?”, pergunta você.
Eu respondo (parafraseando um texto do Greenpeace): “A terra tem 4,6 bilhões de anos. O seu florescimento, como local habitável, veio depois de bilhões de anos. Ou seja… É um planeta muito novo, se compararmos com o seu tempo de vida no cosmo. Assim como os dinossauros e os grandes répteis; e depois os mamíferos e os primeiros hominídeos (que aprenderam a caminhar eretos), tudo aconteceu muito recente. Principalmente se falarmos da presença do homem moderno na sua superfície”.
“E daí… o que isso tem haver com destruição ambiental?”, você questiona.
Respondo: “Bem… Foi através do homem que surgiu a revolução industrial, fazendo do planeta (que era um imenso paraíso) um depósito de lixo. As pragas multiplicaram-se; houve a extinção de inúmeras espécies; o homem saqueou do planeta para obter combustíveis; armou-se até os dentes para travar, com suas armas nucleares inteligentes, a última de todas as guerras, que destruirá definitivamente o único oásis da vida no sistema solar. A evolução natural de 4,6 bilhões de anos seria anulada pelo homem (um hóspede muito recente e mal educado que coloca tudo a perder)”.
Tudo isso só tem um nome: Falso progresso!!!
As discussões na sala de aula esquentaram na última semana. E vários são os pontos analisados por nós. Por exemplo, por que no Brasil os fóruns de discussões (apresentados na Eco-92) não chegaram a base popular? Quais foram os resultados concretos deste evento na vida cotidiana das pessoas? Será que tudo não passou de um tremendo jogo de encenação?
Enquanto isso algumas empresas e prefeituras do interior brasileiro começam a se mexer para orquestrar uma conversa de boa vizinhança com o meio ambiente. Pelo que estamos notando (mais uma vez) tudo não passa de um grande simulacro. Tanto o poder público como os empresários, calibrados por enredos grotescos, ensaiam seus discursos na chamada economia verde.
Obviamente, nós como ecólogos, observamos que um dos maiores problemas da falta de comprometimento da Eco-92, é exatamente a ausência de uma cultura com novas implementações em condutas pedagógicas, que possa multiplicar a consciência ambiental das pessoas. Por isso as falhas são graves. Faltam agentes transformadores nas comunidades. Os partidos, por sua vez, preferem viver no sonambulismo dos seus contextos de comando e não compreendem o tema com profundidade. Pergunte a qualquer vereador da sua cidade, quais foram os pontos importantes apresentados durante a Eco-92, para saber se ele conseguirá responder.

Ambientalistas X ruralistas
Até hoje não sabemos qual caminho a tomar quando o tema é sustentabilidade ambiental. Mais exemplos? O novo código florestal é uma total aberração. O seu juízo de valores míngua o exercício da cidadania. O novo código afetará diretamente centenas de biomas e o bem estar de muitas vidas.
Na minha opinião, essa briga é completamente desigual. De um lado há pessoas comprometidas de fato com a questão ambiental; e do outro lado, temos a bancada ruralista (mais poderosa e ameaçadora).
Por que a bancada ruralista é mais poderosas do que a dos ambientalistas? Todo o aparato da estrutura burocrática é favorável aos ruralistas. Vamos aos fatos: para apresentar dois relatórios, a bancada contou com o apoio da Embrapa Monitoramento por Satélite, com resultados extremamente discutíveis.
Em um deles, conhecido como “Alcance Territorial Indigenista”, serviu para sustentar a tese de um suposto engessamento territorial da agropecuária brasileira pela legislação. O relatório chegou a afirmar que a área disponível para a agropecuária era “negativa”.
Já o outro relatório, com o nome “A Dinâmica das Florestas no Mundo”, afirmava que nos últimos 8 mil anos o volume de florestas no Brasil teria saltado de 9,8% para 23,3% em relação ao total existente no planeta.
No que esses dados influenciam? No dia 6 de julho de 2010, a comissão especial destinada a votar o relatório sobre o projeto de Lei 1876 de 1999, aprovou o substitutivo de Aldo Rabelo por 120 votos a favor e cinco contra. Quem saiu ganhando? Como sempre, a base ruralista.
A minha conclusão é que a bancada ruralista não tem interesse em criar uma cultura ecológica sustentável, e sim garantir o seu império através de dinâmicas capitalistas selvagens, favorecendo práticas de estímulos ao desmatamento.

Ausência de conhecimento
E como no Brasil, onde a prática clientelista afeta a maioria dos militantes partidários por se interessar apenas nos seus ganhos políticos, a situação se complica completamente. O princípio do respeito ao patrimônio natural é completamente desvinculado dos debates contidianos. Tudo porque falta conhecimento básico sobre o problema.
Recentemente, o nosso professor de Educação Ambiental e Ética Ambiental (João Gilberto, doutor em sociologia, em história e em psicologia) nos passou um exercício focado no artigo da Lei 9795 (Lei da educação ambiental).
Um dos pontos que me chamou a atenção foi o Art. 2º que diz: “A educação ambiental é um componente essencial é permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal ou informal”.
Achei o art. 2º bastante interessante, pois o seu foco se direciona em valorizar políticas públicas na área ambiental; principalmente, na sua apresentação sobre a democratização da informação e formação das pessoas.
Esse princípio, cooperativo na sua extensão social, de ampliar e formatar na sociedade propostas educacionais é, sem dúvida, uma senha para construírmos uma realidade (menos superficial e mais racional) que nos permita ter melhor qualidade de vida. Mas será que isso vai demorar acontecer de fato?
A legislação existe! Mas ela consegue ser aplicada na prática, em um país emergente, com forte impulso consumista? Ou melhor, os efeitos da lei são reais?
A atual atmosfera de valores, a maioria das pessoas não pensa em viver com o essencial e sim com a quantidade de bens materiais. O que reforça a tese da ignorância sobre o tema. Qual o conceito de ignorante aqui? É quando uma pessoa só tem capacidade de olhar a si mesma e não se permite uma visão ampliada do exterior. Ou seja, não sabe coixistir.
Se de um lado há professores, ecólogos, ambientalistas e vários setores da sociedade, preocupados em encontrar soluções para uma permanência duradoura no planeta, do outro lado temos os predadores (a indústria de armas bélicas, do narcotráfico, da prostituição e de facções criminosas), que não permitem a construção de uma sinergia da valorização do conhecimento.
No aspecto textual, o art.2º incrementa novas perspectivas; mas, contudo, ele poderá vigorar de fato, no momento em que todas as instâncias sociais permitirem em aderir a essa proposta, que tem como meta desconstruir tudo aquilo que traz danos ao bem estar social.
Logicamente esses pontos serão abordados por alguns setores dentro do evento Rio + 20. Nossa turma estará presente. Vamos ver o que acontece.

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Rio de Janeiro

abril 23, 2012

Cidade do Rio de Janeiro… Indicada a ser patrimônio da humanidade.

Que maravilha!

Foi nesta cidade que conheci muitas pessoas bacanas, anárquicas, inteligentes e articuladas…

Na década de 80, em Copacabana, jogava baralho com a sambista Leci Brandão (hoje deputada federal por São Paulo); conversava com Grande Otelo; e frequentava uma adega de vinhos na rua Siqueira Campos, que era habitada por artistas, escritores e intelectuais. Também conheci Fausto Fawcett, quando ele fazia sucesso com a música kátia flávia. Mais tarde, na década de 90, de volta ao Rio de Janeiro, me encontro com o escritor Moacir Scliar; e depois de várias horas de boas prosas, mantemos uma relação de amizade por telefone.

Dom Camilo (meu grande amigo), que foi proprietário de um espaço cultural em Copacabana (Clara Nunes, Clementina de Jesus, Xangô da Mangueira, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento e muitas figuras poderosas do samba marcavam ponto neste lugar), me disse que estava cansado do Rio de Janeiro. “A cidade já deu a sua contribuição. Tudo anda muito confuso”. A última notícia de que tive de Dom Camilo é que ele estava residindo em Porto Alegre. Mas na sua bagagem cultural, Camilo traz três livros publicados sobre o povo do Rio de janeiro.

Com mestrado em filosofia e doutor em matemática, Camilo largou Sampa e um emprego promissor (como diretor no Citybank) e partiu para o Rio de Janeiro. Por lá fez amizades com Cartola, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros e Nelson Sargento. Uma observação, Camilo é guitarrista e pandeirista; já tocou com todas essas feras acima citadas. Falo aqui neste blog sobre Camilo porque nos tornamos grandes amigos e ele tem uma leitura profunda sobre o Rio de Janeiro, que poderá chegar a ser patrimônio da humanidade. No fundo ele ama o Rio de Janeiro.

Um outro amigo, o escritor Ronaldo Werneck (que escreve minúcias sociológicas e antropológicas de Copacabana), já publicou um livro fascinante sobre o funcionamento do bairro mais eclético do Rio de Janeiro. Os detalhes da noite, das mulheres, das loucuras e do despojamentos humanos, são bem traçados em uma linguagem clara e bem construída.

O escritor Ronaldo Werneck, hoje um dos maiores nomes da literatura brasileira [atualmente ele reside em Cataguases], me enviou o seu livro “Noite Americana – Dori: Day By Night”. Ronaldo faz parte de um seleto grupo de escritores brasileiros, intelectualmente sofisticados, que alimenta com idéias brilhantes o nosso tumultuado cotidiano.

Ao folhear o livro me deparei com o poema Copacabana. Isso, a bela Copacabana das várias facetas existenciais que ele conhece bem. Só quem viveu com intensidade neste bairro entende o que Werneck diz, pois desvendar esse lugar não é apenas passar os olhos nas suas superficialidades. É um mundo que exige ser explorado com coragem e determinação. Cutucar seus nervos, conhecer suas figuras ilustres, leva tempo. É um espaço geográfico configurado para ser múltiplo. Obviamente há exigências metafísicas para poder se aprofundar nas suas entranhas.

Mas o Rio de Janeiro não é só Copacabana. É muito mais. Neste momento penso em outro escritor, que tive a oportunidade de conhecer pela sua sensibilidade artística de compreender o ser humano com profundidade. Trata-se do escritor  Hélio de Almeida Fernandes. Seu trabalho literário é muito legal, bem elaborado e consegue apresentar resultados incríveis (dentro de um cenário carioca).Há muito o que se falar do Rio de Janeiro… Mas, por enquanto, fico aqui na torcida para ver se ele consegue ser patrimônio da humanidade.

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O ser e suas demandas na evolução humana

abril 22, 2012

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No livro a Era dos Extremos, Eric Hobsbawn apontou como o século XX aniquilou pessoas em nome de uma “razão” grotesca, conhecida como política do “desenvolvimento” econômico. Tudo em nome do “progresso”. No século 21, os modelos de violência são os mesmos. De um lado temos alguns países investindo em novas logísticas e táticas de “defesa”, comprando armas cada vez mais sofisticas para eliminar seus inimigos.

Na cabeça desses republicanos e democratas, o pragmatismo é: dane-se que esses inimigos sejam crianças, mulheres grávidas, adolescentes e jovens mulçumanos. O que está em jogo é a imposição de uma “democracia” (mentirosa) para trazer a paz ao mundo. Do um outro lado, temos o Brasil (e dezenas de países subdesenvolvidos) onde o principal problema continua sendo a falta de acesso a informação. Cada um se vira como pode. Se tudo é “bom”, no lado sul, para que me preocupar com o que acontece no nordeste ou norte. “Eles estão lá, que se virem…”

O mesmo raciocínio acontece no sudeste. “Para que me preocupar se as milicias estão destruindo valores humanos importantes no Rio de Janeiro, se isso não acontece aqui em Minas Gerais?”, dizem alguns. Essa ausência de ética, por parte do nosso modelo contemporâneo, é que afeta a existência. Como é possível uma juíza ser ameaça de morte pelo próprio sistema, ao qual ela pertence?

É o caso da juíza Fabíola Michele Muniz Mendes de Moura, em Pernambuco. Todos sabemos o caso da juíza de Niterói, Patrícia Acioli, que foi assassinada (a mando de pessoas ligadas a polícia militar) fazendo grande parte dos cidadãos a temer quanto ao funcionamento da segurança pública (mesmo com toda a publicidade apresentada de “mudança” com a criação da Unidades de Polícia Pacificadora – UPPs).

Esse é um tema complexo, extremamente delicado, que por hora temos a única conclusão porque ele acontece: falta de educação, investimentos em saneamento básico e acesso a cultura, são alguns dos motivos por haver tantos comportamentos hostis.

Segundo o mapa da violência, de 2010, do Instituto Sangari, a taxa de homicídios no estado do Rio de Janeiro é de 26,2 por grupo de 100 mil habitantes, e a de jovens de 15 a 24 anos é de 52,5 homicídios. Quando o segmento é jovem + negro, o índice salta para perto de 80 homicídios. A Organização das Nações Unidas considera aceitável apenas taxas de menos de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes.

No Japão, a taxa de homicídios é de menos de 1 morto para cada 100 mil habitantes. Em clima de início de eleições, quando se começa a observar o que se poderá fazer no futuro, seria interessante se todos começassem a pensar com mais clareza, o que queremos construir (de fato) para as próximas gerações? Ou ela terá características idênticas ao da ficção do Admirável Mundo Novo, escrita por Aldous Huxley (que divide os “civilizados” condicionados dos “selvagens” em busca de caminhos mais lúdicos). É um romance de idéias, onde as questões relacionadas ao funcionamento do totalitarismo de ideologias de esquerda e de direita, apresenta uma dúvida: qual é o melhor caminho para convivermos bem na humanidade? Alguém tem uma resposta?